9 de abr. de 2021

Racismo Ambiental - onde e quando surgiu este conceito?

Imagem do mapa do Brasil, e ao centro o rostos de perfil e uma mulher negra, um indígena brasileiro e um homem negro

Para iniciar este artigo quero trazer a diferença entre preconceito, discriminação e racismo.

Preconceito é uma opinião formada respeito das pessoas antes de conhecê-las. É um julgamento precipitado e superficial, ocorre baseado na falta de conhecimento ou em estereótipos.

A discriminação é o tratamento diferenciado dado a uma pessoa ou a um grupo específico em razão do pertencimento a uma determinada raça, cor, sexo, nacionalidade, etnia, orientação sexual, identidade de gênero ou outra característica.  Podendo ser causada pelo racismo ou preconceito.

Já o racismo se baseia principalmente na existência de hierarquia entre grupos humanos. Considera que as diferenças entre raças permitem que uma seja dominante sobre outra. É um resultado do preconceito, causado pela antipatia ou ódio.


O que é Racismo Ambiental?

É importante compreender que Racismo ambiental nasceu dentro de um conceito de luta, ele nasceu da luta, da resistência.  Ele surgiu da organização de populações atingidas por empreendimentos de grandes e pequenos portes, mas possuíam um dano altamente agressivo ao ambiente.

É preciso entender que todo o processo de conflito ambiental implica em processos de ‘injustiça ambiental’, ou seja, os danos ambientais são distribuídos de forma desigual e sempre existe populações que sofrerão muito mais com os danos ambientais do que outras.

E geralmente essas populações são as minorias, os quilombolas, as populações tradicionais, indígenas, ribeirinhas e etc.


Onde e quando surgiu este conceito?

O conceito racismo ambiental surgiu a partir da percepção de populações, na década de 80, situadas no condado de Warren Country na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Essas populações perceberam que a localidade onde moravam, era uma localidade de deposição de um produto químico altamente tóxico. E notaram também que esta localidade  era composta majoritariamente por pessoas negras.

A partir dessa percepção e da organização dessas populações criou-se um movimento de contestação de luta pautado na ideia do Racismo Ambiental, baseado na ideia de que os danos ambientais são distribuídos desigualmente e que as populações mais atingidas são as que estão associadas à perspectiva do racismo, sofrem justamente por sofrerem racismo.

 E foi a partir daí que surgiu o conceito, enquanto um conceito de luta, a partir da ação.  Não como um conceito acadêmico, o criado por intelectuais ou por organizações não governamentais.

Essa ideia dissimilou na américa latina e no especificamente no brasil após a Eco 92. A partir de então a ideia de racismo ambiental passa ser um conceito acadêmico, passando a ser chamado de “justiça ambiental”,

E a partir daí além das populações negras passou a abranger também as populações atingidas por esses danos desigualmente distribuídos no território.

Num evento paralelo a Rio +20, a Cúpula dos Povos, organizado por coletivos, movimentos sociais e populações indígenas no rio de janeiro.  O conceito de ‘justiça ambiental’ volta se atrelar fortemente a ideia de racismo ambiental, e novamente enquanto uma categoria da luta, da ação política e da resistência.  

É importante entender nesse processo, o histórico dos efeitos do racismo ambiental, principalmente num momento em nota-se no Brasil, o aumento dos conflitos ambientais e dos processos de injustiça.

Acredito que nos próximos anos os casos de justiça ambiental aumentarão, pois neste sentido está ocorrendo a flexibilização do licenciamento ambiental, o novo código florestal, temos a questão do novo processo demarcação de terras indígenas e de territórios quilombolas.

E isso provoca o aumento dos processos de injustiça ambiental que estão maneira intrínseca ligados a esses processos de racismo ambiental.

Por isso a importância que a academia, as organizações e a população em geral abracem esta ideia, este conceito e trazendo para si como um instrumento de luta contra esta forma de exclusão.

 

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MARCILENE LEÃO
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