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9 de abr. de 2021

Racismo Ambiental - onde e quando surgiu este conceito?

Imagem do mapa do Brasil, e ao centro o rostos de perfil e uma mulher negra, um indígena brasileiro e um homem negro

Mas antes de falar sobre Racismo Ambiental, quero trazer a diferença entre preconceito, discriminação e racismo.

Preconceito é uma opinião formada respeito das pessoas antes de conhecê-las. É um julgamento precipitado e superficial, ocorre baseado na falta de conhecimento ou em estereótipos.

A discriminação é o tratamento diferenciado dado a uma pessoa ou a um grupo específico em razão do pertencimento a uma determinada raça, cor, sexo, nacionalidade, etnia, orientação sexual, identidade de gênero ou outra característica.  Podendo ser causada pelo racismo ou preconceito.

Já o racismo se baseia principalmente na existência de hierarquia entre grupos humanos. Considera que as diferenças entre raças permitem que uma seja dominante sobre outra. É um resultado do preconceito, causado pela antipatia ou ódio.


O que é Racismo Ambiental?

É importante compreender que Racismo ambiental nasceu dentro de um conceito de luta, ele nasceu da luta, da resistência.  Ele surgiu da organização de populações atingidas por empreendimentos de grandes e pequenos portes, mas possuíam um dano altamente agressivo ao ambiente.

É preciso entender que todo o processo de conflito ambiental implica em processos de ‘injustiça ambiental’, ou seja, os danos ambientais são distribuídos de forma desigual e sempre existe populações que sofrerão muito mais com os danos ambientais do que outras.

E geralmente essas populações são as minorias, os quilombolas, as populações tradicionais, indígenas, ribeirinhas e etc.


Onde e quando surgiu o conceito Racismo Ambiental?

O conceito racismo ambiental surgiu a partir da percepção de populações, na década de 80, situadas no condado de Warren Country na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Essas populações perceberam que a localidade onde moravam, era uma localidade de deposição de um produto químico altamente tóxico. E notaram também que esta localidade  era composta majoritariamente por pessoas negras.

A partir dessa percepção e da organização dessas populações criou-se um movimento de contestação de luta pautado na ideia do Racismo Ambiental, baseado na ideia de que os danos ambientais são distribuídos desigualmente e que as populações mais atingidas são as que estão associadas à perspectiva do racismo, sofrem justamente por sofrerem racismo.

 E foi a partir daí que surgiu o conceito, enquanto um conceito de luta, a partir da ação.  Não como um conceito acadêmico, o criado por intelectuais ou por organizações não governamentais.

Essa ideia dissimilou na américa latina e no especificamente no brasil após a Eco 92. A partir de então a ideia de racismo ambiental passa ser um conceito acadêmico, passando a ser chamado de “justiça ambiental”,

E a partir daí além das populações negras passou a abranger também as populações atingidas por esses danos desigualmente distribuídos no território.

Num evento paralelo a Rio +20, a Cúpula dos Povos, organizado por coletivos, movimentos sociais e populações indígenas no rio de janeiro.  O conceito de ‘justiça ambiental’ volta se atrelar fortemente a ideia de racismo ambiental, e novamente enquanto uma categoria da luta, da ação política e da resistência.  

É importante entender nesse processo, o histórico dos efeitos do racismo ambiental, principalmente num momento em nota-se no Brasil, o aumento dos conflitos ambientais e dos processos de injustiça.

Acredito que nos próximos anos os casos de justiça ambiental aumentarão, pois neste sentido está ocorrendo a flexibilização do licenciamento ambiental, o novo código florestal, temos a questão do novo processo demarcação de terras indígenas e de territórios quilombolas.

E isso provoca o aumento dos processos de injustiça ambiental que estão maneira intrínseca ligados a esses processos de racismo ambiental.

Por isso a importância que a academia, as organizações e a população em geral abracem esta ideia, este conceito e trazendo para si como um instrumento de luta contra esta forma de exclusão.

 

19 de mar. de 2021

Greenwashing - O que é? Como identificar?


Greenwashing traduzido para o português quer dizer "lavagem verde" ou "maquiagem verde". Ele pode ser praticado por políticos, empresas públicas ou privadas,  indústrias e ONGs.

Com o passar dos anos os consumidores estão cada mais preocupados com a preservação ambiental. E para conquistar estes consumidores conscientes muitas empresas tem usado o greenwhashing . 


Greenwashing é a pratica de promover anúncios, ações, relatórios, propagandas, publicidade e discursos sobre ser ambientalmente correto. Sendo comum relacionar a imagem de quem divulga essas informações à defesa do ambiente.

Porém na realidade medidas reais que contribuem com a minimização ou a solução dos problemas ambientais não são praticadas.

Fique em alerta com produtos que se autodeclaram ecofriendly ou verdes e se informe, pois você pode está sendo enganado e na pior das hipóteses colaborando com essa prática.

 E nós consumidores, precisamos saber separar as empresas ambientalmente sérias daquelas que se dizem ser.

Consequentemente, produtores e prestadores de serviço devem analisar suas estratégias de marketing utilizadas e verificar se o que a empresa oferece é realmente tão sustentável quanto o que a propaganda diz.

Neste artigo trago alguns erros cometidos por empresas ao anunciarem seus produtos sustentáveis.


Conheça os 7 erros que empresas cometem ao anunciar 
que seu produto ou serviço é sustentável.


1 - Custo ambiental camuflado

Mostrar somente o aspecto ambientalmente favorável não significa que o produto seja sustentável. É preciso analisar todos os aspectos, como todo o ciclo de vida da mercadoria.


2 - Falta de provas

As informações apresentadas devem ser atestadas por uma terceira parte, normalmente, por um órgão governamental de fiscalização ou instituições reconhecidas na área.


Exemplo: uma marca traz em sua embalagem a informação de que reflorestamento,  mas essa informação não está certificada por uma terceira parte.


3 - Generalidade

Termos genéricos como “ecologicamente correto”, “totalmente natural", ou dizer apenas “sustentável” é muito vago e não demonstra a empresa realiza efetivamente para que ela seja considerada sustentável.


4 - Rótulos falsos

Ícones parecidos a selos ambientais são colocados na embalagem ou nas peças de publicidade, passando a impressão de que o produto é certificado por terceiros mas,  na verdade, é mais uma informação do fabricante.


5 - Irrelevância

Informações ainda que verdadeiras não trazem um diferencial ecológico do produto - mas induzem a entender que sim. 

Um exemplo clássico acontecia há alguns anos,  marcas de desodorantes aerossóis colocavam nas embalagens que produto não continha CLOROFLUORCARBONO.

E isso é uma verdade, porém os CFCs foram  proibidos no Brasil em 1988, portanto, destacar isso no produto é totalmente irrelevante.


6 - Mal menor

Quando a empresa encobre os danos ambientais graves relacionados à sua atividade. Se declara como menos poluidor ou destruidor que a concorrência. Distraindo o consumidor sobre os problemas ecológicos envolvidos.

7 - Mentira

O uso da má-fé, passando informações que não condizem com a verdade, gerando a sensação de que a empresa possui consciência ambiental.

Fique atento e não caia no 
greenwashing, exija dos seus fornecedores ou dos seus prestadores de serviço as cerificações ambientais que comprovem o empenho para preservar os recursos naturais.

Existem vários certificados, como selo de orgânicos para alimentos e os selos da ISO 14000, por exemplo.


Você já percebeu greenwashing (maquiagem verde) em produtos ou serviços? 

3 de nov. de 2020

Descarte Inadequado de Medicamentos e Seus Impactos

Fundo branco com inúmeras capsulas de medicamentos de diversas cores

O que é impacto Ambiental?

O conceito de Impacto ambiental:  é toda qualquer alteração das propriedades químicas, físicas, e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer tipo de energia ou matéria resultante das atividades humanas que, afetam de forma direta ou indireta a segurança saúde e o bem estar da população; a biota, as atividades econômicas e sociais , as condições sanitárias e estéticas do meio ambiente a qualidade dos recursos ambientais.

Descarte Inadequado de Medicamentos - entenda como ele acontece

Grande parte da população desconhece informações quanto à maneira correta para descartar medicamentos ou vencidos ou em desuso. 

O descarte inadequado de medicamentos, na maioria vezes ocorre pura e simplesmente por falta de orientação, pelo baixo número de locais para coleta e pela falta de informação pelo poder público quanto aos  prejuízos que o descarte inadequado de medicamentos pode causar ao meio ambiente.

O descarte inadequado de medicamentos pode provocar inúmeros estragos à saúde pública e ao meio ambiente e, afetando vários ecossistemas. 

Quando descartado no lixo comum ou na rede de esgoto pode vir a contaminar o solo, águas superficiais incluindo rios, oceanos e lagos e as águas e subterrâneas.

Essas substâncias químicas, quando em contato com a umidade ou em exposição à luz e temperatura reagem tornando substâncias tóxicas interferindo na estabilidade do meio ambiente, modificando ciclos biogeoquímicos e também alterando as cadeias alimentares.


Medicamentos vencidos ou em desuso quando descartados no lixo vão parar nos lixões a céu aberto ou aterros controlados é quando surge outro problema social, a situação de quem tira o sustento dos lixões. 


Na busca de algo para conseguir dinheiro, indivíduos que frequentam esses ambientes, encontram os medicamentos descartados e podem ingeri-los, colocando sua saúde em perigo. Um risco eminente principalmente para crianças.


E neste cenário estamos diante de uma grave problemática social, uma questão de vigilância sanitária e ambiental. 


Pois a intoxicação ou envenenamento em seres humanos pode acontecer por diferentes formas: através da pele, ainda que seja um breve contato e mesmo sem ferimentos e escoriações; por inalação e da forma mais comum que é a ingestão.


Quando descartados no sistema de esgoto, os resíduos químicos dos medicamentos são diluídos na água e não sendo estes eliminados por processo de filtragem.


 Portanto a água continua contaminada por esses agentes e retorna aos cidadãos concentrada de resíduos. Estudos direcionados para a análise de afluentes urbanos mostraram uma elevada concentração de hormônios com capacidade de afetar gravemente os rios e lagos.


Estudos feitos na Alemanha, Canadá, EUA, Brasil e Espanha mostraram a presença de baixas concentrações de fármacos e seus metabólicos em água bruta e tratada. 


Tais substâncias presentes em água nos mananciais chegam às Estações de Tratamento de Água, elas resistem aos tratamentos empregados. Em baixas concentrações os riscos são baixos em curto prazo, porém, a bioacumulação e os efeitos da união da mistura dos compostos são fatores que podem causar danos à saúde humana a longo prazo.


Alguns autores alegam que, conforme a dose e o tempo de exposição aos fármacos essas substâncias podem estar relacionadas com algumas doenças em seres humanos como redução da fertilidade masculina; ovários policísticos; e doenças  como câncer de mama, testicular e também de próstata.


Inúmeros estudos desde o final da década de 90 mostram que frequentemente fármacos são encontrados em efluentes nas estações de tratamentos de esgoto, nas águas e abastecimento e também em outras matrizes ambientais como sedimento, águas naturais e solo em concentrações na faixa de microgramas ou nanogramas por litro.


Descarte Inadequado de Medicamentos - para fauna e flora aquática

Segundo a professora Tânia Pizzolato, essa concentração pode não oferecer risco diretamente ao ser humano mas pode ser tóxico para fauna e flora aquática. 


Tânia ainda menciona que tais parâmetros são complicados para estabelecer, pois são necessários anos de pesquisas e inúmeros testes para determinar uma quantidade máxima de certa substância que pode ser ingerida sem ocasionar danos à nossa saúde.


O preocupante é que a Portaria nº2.914/ 2011 (que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade) dentre as determinações de parâmetros para potabilidade da água não há previsão para fármacos. 



Os hormônios sintéticos estão inclusos na classe farmacológica que estão sendo discutida intensamente levando em consideração possíveis interferências na reprodução e desenvolvimento de espécies aquáticas e também estão relacionados ao surgimento de várias formas de cânceres na população.


Alguns estudos mostraram que a presença de hormônios femininos e outros contaminantes na água causam a feminização de peixes levando a formação de óvulos nos machos, indicando que mesmo pequenas quantidades do estrogênio muito utilizados em pílulas contraceptivas podem extinguir algumas espécies.


Outro problema causado pela contaminação de fármacos é o desenvolvimento de superbactérias, que se tornam fortemente resistentes a antibióticos.


O grau consequência de resíduos químicos de medicamentos no meio ambiente depende do grau de toxidade e do alcance de acumulação nos biossistemas com a variação de tempo de permanência do mesmo no ambiente, devido a sua capacidade de resistir a degradação relacionada ao curso natural.


A falta de atenção ou até mesmo imperícia no manuseio dos rejeitos farmacêuticos causam graves prejuízos ao meio ambiente, devido o descarte inadequado, gerando consideráveis consequências para a saúde humana e ambiental.

Muitos países trabalham para desenvolver programas de gestão de resíduos de medicamentos visando diminuir os agravos ambientais e à saúde.



16 de out. de 2020



Descartes Adequados Para Medicamentos Vencidos

  Medicamentos vencidos ou em desuso são classificados como resíduos perigosos devidos a sua toxidade e o potencial de causar efeitos adversos, em virtude da sua interação com o organismo, seja por ingestão, inalação ou absorção através da pele.

  Segundo a NBR 12808 Resíduos de Serviços de Saúde, medicamentos vencidos ou não utilizados são classificados de Classe A - Resíduos infectantes na qual incluem: as vacinas vencidas ou inutilizadas, filtro de gases aspirados, mistura de microrganismos em meio de cultura inoculada proveniente de laboratório clínico ou de pesquisa e qualquer outro resíduo contaminado por estes materiais.

  Na RDC nº 222/2018 e a Resolução CONAMA n°358/2005, mencionam que é de responsabilidade do estabelecimento de saúde ter seu próprio sistema de gestão, considerando desde a geração até a sua disposição final.

 

  A Resolução CONAMA n°358/2005 ainda estabelece que, resíduos do Grupo B são resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade.

  Neste artigo trago informações sobre formas adequadas para destinação final de resíduos de medicamentos vencidos ou em desuso.


 Incineração

  O processo de incineração e as demais técnicas de destruição e eliminação são processos consideráveis por causa da eficiência para diminuir a periculosidade, o peso e o volume dos resíduos.

  E com isso diminui consequentemente o potencial de degradação ambiental. Assim como em países desenvolvidos, no Brasil também há uma tendência de ampliar a incineração, considerando a complexidade da construção de novos aterros sanitários e a obrigatoriedade do monitoramento dos aterros por extensos períodos, principalmente após o fim da vida.

  Mas, o processo de incineração precisa ser monitorado por sistemas computadorizados de purificação dos gases emitidos durante a operação, pois estes gases produzidos emitem altas concentrações de substâncias que estão bem acima dos limites permitidos por lei, exigindo um tratamento para a neutralização dos mesmos.


Coprocessamento

  O coprocessamento é o processo de destruição de resíduos na fabricação de produtos que requerem altas temperaturas na sua fabricação, ou seja, uma técnica em que ocorre a queima de resíduos em fornos para a fabricação de cimento (por exemplo), dando uma destinação adequada aos resíduos perigosos. 

  Em alguns casos, também pode ser utilizado o termo coincineração, em referência a essa técnica, porém é aplicado quando o resíduo é utilizado com a finalidade de agir como um combustível substituto e a sua queima tem como fim apenas a geração de energia. Quando o resíduo é utilizado como fonte de calor e também como matéria-prima, podendo ser incorporado ao clínquer(principal componente na composição do cimento),  o termo mais apropriado é coprocessamento.

  No Brasil, as principais normas federais para controle de emissões dos fornos de cimento são: Resolução CONAMA nº 264/1999 que dispõe sobre procedimentos e os critérios específicos do coprocessamento, e a Resolução CONAMA nº 316/2002 que dispõe sobre procedimentos e critérios para o funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos.

  A Resolução CONAMA nº 264/1999 licencia fornos rotativos de produção de clínquer para realizar atividades de coprocessamento, excetuando os seguintes resíduos: os radioativos, os domiciliares brutos, organoclorados, resíduos de serviços de saúde, explosivos, agrotóxicos e afins. Já na Resolução CONAMA nº 316/2002, o coprocessamento de resíduos industriais é a reutilização de material ou substância inservível ou não passível de outro aproveitamento econômico.

  Porém conforme o artigo 20 da Deliberação Normativa COPAM nº 154/2010 é necessário fazer uma solicitação na ANVISA para executar destruição de medicamentos vencidos em fornos de coprocessamento.


 Aterros Industriais

  A 10004 de 2004 classifica os resíduos de medicamentos como sendo de Classe 1, ou seja, resíduos perigosos. Portanto requerem uma maior atenção por parte dos órgãos envolvidos, devendo ser dispostos em Aterros Industriais que são projetados para receber resíduos perigosos.

  E ainda segundo consta no item 11 da RDC 306/2004, resíduos químicos que oferecem risco ao meio ambiente e à saúde pública, quando não passarem por processos de reciclagem, recuperação ou reutilização, devem ser destinados em aterro de resíduos perigosos.

  Medicamentos vencidos ou em desuso são resíduos perigosos devidos sua toxidade e tem potencial de causar efeitos adversos em virtude da sua interação com o organismo, seja por ingestão, inalação ou absorção através da pele.

  Segundo a NBR 12808 Resíduos de Serviços de Saúde, medicamentos vencidos ou não utilizados são classificados de Classe A - Resíduos infectantes, na qual estão: vacina vencida ou inutilizada, filtro de gases aspirados, mistura de microrganismos em meio de cultura inoculada proveniente de laboratório clínico ou de pesquisa e qualquer resíduo contaminado por estes materiais.

  Na RDC nº 222/2018 e a Resolução CONAMA n° 358/2005 mencionam que é de responsabilidade do estabelecimento de saúde ter seu próprio sistema de gestão, considerando desde a geração até a sua disposição final.


Logística Reversa

  É a área da logística com foco no retorno de materiais já utilizados para o processo produtivo, visando o reaproveitamento ou descarte apropriado de materiais e a preservação ambiental. A lei define a logística reversa como um "instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada".

  A figura abaixo apresenta o funcionamento da Logística Reversa:

   A Lei nº 12.305/2010 é um importante passo para a proteção da saúde pública e ambiental. Nela contém princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes relacionadas à gestão de resíduos sólidos, incluindo resíduos perigosos, as responsabilidades dos geradores e do poder público e os instrumentos econômicos aplicáveis. Ela também incluiu a responsabilidade compartilhada onde empresas, prefeituras, sociedade, governo estadual e federal tenham a responsabilidade compartilhada pelo gerenciamento de resíduos sólidos.

  Em 5 de junho de 2020, por meio do decreto nº10.388 foi regulamentado o artigo 33 da Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010 e instituindo o sistema de logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso, de uso humano, manipulados e industrializados, e de suas embalagens após o descarte pelos consumidores.

5 de set. de 2020

Descarte de Medicamentos


A carência de atendimento de consultas no sistema público de saúde leva a pessoas a comprarem quantidades desnecessárias de medicamentos e que inúmeras vezes são guardadas para usar novamente, também a crença de que não é necessário procurar um médico faz com que se utilizem prescrições anteriores e a ainda a ausência de tempo para ir ao médico, o que faz com as pessoas sempre tenham em domicílios medicamentos armazenados.

É necessário maior na fiscalização e aplicação das leis ambientais já existentes, e desenvolvimento de atividades altruístas direcionadas à Educação Ambiental. 

E cabe destacar a atual realidade sanitária do Brasil, o baixo número de aterros sanitários, com infraestrutura precária, é outro fator que dificulta o tratamento adequado de resíduos de natureza biológica ou química.

As leis existentes no Brasil referente ao descarte de medicamentos são direcionadas aos estabelecimentos de saúde, não incluindo a população em geral.

Isso contribui para que a população não tenha o devido entendimento quanto aos impactos decorrentes do descarte domiciliar de medicamentos no esgoto e lixo comum.

O descarte inadequado de medicamentos não utilizados ou vencidos ou pode trazer graves consequências para o meio ambiente a população. A cada 1kg de medicamento descartado via esgoto (vaso sanitário e pias) podem contaminar 450 mil litros de água, conforme dados da companhia Brasil Health Service (BHS).

Vale ressaltar que nem toda contaminação é causada pelo descarte inadequado, pois mesmo quando utilizados os medicamentos podem causar impactos, pois alguns componentes são excretados pela urina ou pelas fezes, cerca de 50% e 90% de uma dosagem são excretados sem sofrer alterações, tornando-se persistente no ambiente.

A permanência das substancia no ambiente, causa o seu acúmulo no organismo, através do seu consumo em cadeia alimentar. Exemplo nítido é quando se consome um peixe que tenha acabado de ingerir aquela substancia. Ainda com possibilidade de ingerir da água contaminada pela substância proveniente do medicamento.

Um estudo realizado na cidade de Paulínia sobre o descarte residencial de medicamentos mostrou que 62% das pessoas descartavam os medicamentos no lixo comum, 55% descartavam até 4 quilos por ano de medicamentos. Dentre os tipos predominantes de medicamentos vencidos 39% antibióticos, 33% analgésicos, 16% anti-inflamatórios e 4% antidepressivos. E 92% não tinham informação sobre locais para descarte de medicamentos vencidos.


Medicamentos Fracionados

Conforme RDC nº. 80/2006 drogarias e farmácias poderiam vender medicamentos fracionados para de atender as demandas terapêuticas do usuário, levando em consideração as exigências ditas na prática.

O objetivo principal dessa medida era evitar as consequências de utilização decorrente das sobras (automedicação), e o desperdício de medicamentos.

As farmácias se prepararam para fazer esse tipo de venda, porém as indústrias não produziram os medicamentos aptos para serem vendidos dessa forma. 

Pois uma das exigências é que mesmo fracionado cada parte  dever ter todas as informações como: o nome do mesmo, número de lote e validade, a concentração do princípio ativo, e a forma de administração. 

A produção desse tipo de medicamento teria um custo maior para indústria,  fazer  a adaptação das embalagens e torná-las fracionáveis, isso poderia aumentar o preço do produto final.


O Papel das Farmácias no Descarte Correto de Medicamentos

A ANVISA editou 2009 em Resolução – RDC n. 44, no Art 92 e 93 menciona a participação de farmácias e drogarias em programas e campanhas de coleta de resíduos domiciliares de medicamentos realizados pelo poder púbico.

Isso veio a amenizar a ausência de regulações referente a resíduos domiciliares, sendo uma boa alternativa para o recolhimento de medicamentos e embalagens dos mesmos. Incluindo a participação desses estabelecimentos na coleta do descarte domiciliar de medicamentos, trazendo melhoria para saúde pública e meio ambiente.

Em Governador Valadares a população pode entregar medicamentos vencidos ou em desuso em uma das 10 farmácias distritais nas Estratégias de Saúde da Família fazer o descarte correto.


Leia também: Medicamentos, Remédios e Fármacos, qual a diferença?



 

Programa Descarte Consciente

O programa Descarte Consciente disponibiliza em cada farmácia participante uma coletora criada com alta tecnologia e segurança no intuito de atender as exigências sanitárias, tudo para facilitar o descarte adequado de medicamentos da população. No site é possível encontrar pontos de coletas cadastrados no programa no Brasil.


Como você descarta os medicamentos vencidos ou desuso?

 

2 de set. de 2020

MICROPLÁSTICOS EM COSMÉTICOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS



Alguns cosméticos possuem em sua composição microesferas de polietileno, conhecidas também como microplásticos. Essas partículas de plásticos podem ser encontradas em sabonetes corporais e faciais, em esfoliantes e até mesmo em cremes dentais convencionais.

Essas bolinhas quase invisíveis acabam chegando aos rios e oceanos depois de utilizadas, e levam milhares de anos para se degradar e essas esferas absorvem pesticidas e metais pesados e podem impactar toda a cadeia alimentar, pois são ingeridos por peixes e outros animais marinhos que quando não morrem contaminados podem ir para nossas mesas.

Brasil não há previsão para proibição para as microesferas de polietileno, mas em alguns países como Estados Unidos já proibiram.

Para saber se um produto contém microesferas de polietileno verifique no rótulo se tenha esses nomes: polyethylene ou polypropylene.

Mas o que fazer se eu preciso usar tais produtos?


Para quem que não pode viver sem a esfoliação, existe as opções caseiras, como café, fubá, açúcar, que são alternativas bem mais em conta, menos nocivas e poluentes.

Caso trabalhe na área de beleza, tem a opção de utilizar cosméticos naturais e orgânicos no lugar dos microplásticos utiliza farelo de arroz, cristais de quartzo entre outras opções. Uma ótima opção para substituir utilizar nas esfoliações são as argilas. 


Agora que você tem esse informação sobre microplásticos em cosméticos e suas consequências repense suas escolhas.




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MARCILENE LEÃO
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